Joacine, foste eleita. Parabéns. Não há dúvida que foi uma grande conquista, tanto para o LIVRE como para a democracia portuguesa. Mas já chega de artimanhas para ganhar a atenção do povo e dos media.

Joacine, ninguém está a falar de quereres aumentar a licença de maternidade para 16 meses. Estão todos a falar da bandeira que apareceu nos festejos.

Joacine, ninguém está a falar de quereres um sistema de ensino open-source. Estão todos a falar da constante insistência pós-eleitoral no rótulo de "feminista radical."

Joacine, ninguém está a falar de quereres acabar com as taxas moderadoras. Estão todos a falar de quereres ser tratada por você no Twitter.

Joacine, ninguém está a falar de quereres baixar o IMI e acabar com a segregação urbana. Estão todos a falar da tua ideia de "democracia radical".

Joacine, ninguém está a falar de quereres uma reforma do sistema prisional para garantir um sistema de re-educação e não de punição. Estão todos a falar a falar de saias.

Joacine, eu sei que tu sabes que és muito mais que golpes publicitários. Ambos sabemos que apresentaste um programa a eleições com conteúdo e ideias, ao contrário do que muitos dos teus adversários querem fazer passar. Sabemos que tens, na tua eleição, a responsabilidade de representar partes esquecidas da sociedade. Sabemos, até, que muito do que se ouve sobre ti não tem qualquer objectivo se não o ataque bacoco.

Mas Joacine, por muito que sejam demonstrações da liberdade individual e de acérrimos debates ideológicos, a quantidade de artimanhas que parece cada vez mais sair do teu lado começa a fazer com que esses ideais, essas propostas que levaste a eleições, sejam esquecidos.

Joacine, ambos sabemos que não é a restringir comentários ou a tentar chocar o país que o LIVRE vai fazer política.

Vamos lá ao trabalho?