Um advogado, de Maserati, que está a ser investigado por variadas burlas, chega à Assembleia da República. Parece o início de uma anedota sobre os nossos deputados, não parece?

Por mais que pareça, não é. É a descrição de um dos novos candidatos à Assembleia, nas eleições de 6 de Outubro. “Mas eu já ouvi esta descrição… Parecem todos os que lá estão…” Parece, mas não é. Como também parece que não é suposto ter a prima da tia da irmã da sogra da mulher como assessora e, ainda assim, parece que o é. Porém, neste caso, penso que o objectivo seja mais o de agradar à sogra do que o de ganhar capital político.

Pardal Henriques, o líder da greve dos Motoristas de Matérias Perigosas, que não queria ser político, junta-se agora às listas do partido de Marinho Pinto. Marinho Pinto este que, por sua vez, não queria fazer política mas, ao fim de uns tempos a discutir a actualidade no prestigiado Você Na TV!, decidiu que afinal o vencimento do Parlamento Europeu não era assim uma coisa tão descabida.

O PAN, que não chegou a tempo do cherne, tem agora a oportunidade de legislar com o Pardal.

O mesmo Pardal Henriques diz que não se meteu na greve dos motoristas, greve de um sindicato criado em finais do ano passado do qual ele é vice-presidente, por dinheiro, mas por acreditar na causa. E também diz que até sofreu, uma vez que perdeu clientes. De facto, deve ser incrivelmente aborrecido para um advogado virado sindicalista virado possível deputado, perder clientes. Queira Deus que, se eleito, o escritório dele não passe de Lisboa para Viana do Castelo. Primeiro, porque as viagens ficariam extremamente caras, e como é sabido os complementos para deputados deslocados são uma miséria. Segundo, porque tendo em conta o historial, ainda fica impedido de comparecer na Assembleia porque, vá-se a ver, há greve dos motoristas de matérias perigosas.

Diz o advogado que escolheu o partido de Marinho Pinto porque foi o que lhe falou ao coração. Não é de direita, nem de esquerda, por isso escolheu o partido do senhor que era contra os avultados salários de deputados europeus e para combater isso… tornou-se num? É tudo muito complicado!

Esperemos que Pardal Henriques não sindicalize os deputados, caso contrário ainda nos deparamos com uma Assembleia da República que se recusa a laborar até haver um subsídio de risco para manuseamento de matérias perigosas sempre que se abordar o Orçamento de Estado.